Uma diferença de meio ponto percentual na taxa de negociação parece irrelevante até você somar doze meses de operações. Em R$ 60.000 negociados por ano, sair de 0,10% para 0,70% de taxa taker significa pagar R$ 420 em vez de R$ 60 — o suficiente para cobrir boa parte de uma carteira de hardware. Este comparativo traz os números que confirmamos direto nas páginas oficiais de cada corretora, sem repetir tabelas antigas que já não batem com a realidade.
A tabela abaixo mostra as taxas de nível básico, sem descontos por volume nem por pagar com token nativo da corretora. Removemos qualquer corretora cuja tabela oficial não conseguimos confirmar hoje — é o caso da OKX, que ficou de fora até validarmos os pares em reais diretamente na fonte.
| Corretora | Maker | Taker | Saque BRL | Depósito Pix | Fonte oficial |
|---|---|---|---|---|---|
| Binance | 0,100% | 0,100% | R$ 3,50 | Gratuito | Ver taxas |
| Bybit | 0,10% | 0,10% | Não disponível (só P2P) | Só via P2P | Ver taxas |
| NovaDAX | 0,21% | 0,45% | Gratuito | Gratuito | Ver taxas |
| Foxbit | 0,25% | 0,50% | Gratuito | Gratuito | Ver taxas |
| Mercado Bitcoin | 0,30% | 0,70% | Gratuito (mín. R$ 1,00) | Gratuito (mín. R$ 1,00) | Ver taxas |
Vale um adendo sobre a Foxbit: nos pares cripto-cripto (sem passar pelo real), a taxa cai para 0,02% maker e 0,15% taker — a mais baixa desta lista para quem já tem posição e só troca de ativo. Taxas conferidas em 28/09/2026 direto nas páginas oficiais linkadas na última coluna; nenhuma corretora avisa antes de reajustar a tabela, então confirme de novo antes de fechar uma ordem grande.
Taxa de negociação é a comissão explícita que a corretora cobra por processar sua ordem — o número que aparece nas tabelas acima. Spread é outra coisa: é a diferença entre o preço de compra e o de venda de um ativo no mesmo instante, e ele fica embutido no preço exibido, sem linha própria no extrato. Uma corretora pode anunciar "taxa zero" e ainda assim cobrar através de um spread mais largo — por isso comparar só a taxa de negociação, ignorando o spread, é olhar metade da conta.
O spread tende a ser menor em pares líquidos, como BTC/BRL nas corretoras grandes, e maior em altcoins pouco negociadas ou em momentos de volatilidade forte, quando o livro de ofertas fica mais raso. Não vamos citar um valor fixo de spread aqui porque ele muda a cada minuto, dependendo de oferta e demanda — mas dá para reduzir o impacto dele evitando comprar ativos ilíquidos em horários de pouco volume.
Nas corretoras que operam por livro de ofertas, existem dois papéis. O taker é quem "toma" uma ordem já existente, comprando ou vendendo ao preço de mercado imediatamente — é o que acontece quando você clica em "comprar agora". O maker é quem "cria" liquidez: coloca uma ordem limitada, com um preço específico, e espera alguém topar esse preço. Como o maker ajuda a manter o livro de ofertas abastecido, a maioria das corretoras cobra dele uma taxa igual ou menor que a do taker — é essa a lógica por trás da diferença entre os dois números da tabela acima.
Usar ordens limitadas em vez de ordens a mercado costuma render economia real para quem opera com alguma frequência, mas tem um custo: a ordem pode nunca ser executada se o preço não chegar até o valor definido. Para quem compra uma vez por mês e não quer acompanhar o mercado, a diferença entre maker e taker raramente compensa a espera.
A fórmula é simples: custo total ≈ (valor da operação × taxa de negociação) + spread do momento. Suponha uma compra de R$ 1.000 em Bitcoin numa corretora que cobra 0,10% de taxa taker: o custo da taxa é R$ 1,00. Se o spread do par nesse instante for, digamos, 0,1% — uma faixa razoável para BTC/BRL em corretoras líquidas, mas que varia e precisa ser conferida na hora —, o custo total fica perto de R$ 2,00, ou 0,2% do valor investido. Repare que essa conta é apenas ilustrativa: o spread real do momento da sua ordem pode ser maior ou menor, e só aparece comparando o preço de compra com o de venda na própria tela de negociação.
Quatro hábitos reduzem o quanto sai do bolso. Usar ordens limitadas (maker) em vez de ordens a mercado, quando esperar não for problema. Pagar as taxas da Binance em BNB, o que dá 25% de desconto sobre o valor cobrado, segundo a tabela oficial da corretora. Evitar altcoins pouco negociadas, cujo spread costuma ser bem mais largo que o de BTC ou ETH. E verificar faixas de desconto por volume antes de comemorar — na Binance, a taxa só cai para 0,08% a partir do nível VIP2, que exige US$ 5 milhões negociados em 30 dias ou 25 BNB em custódia, patamar que a maioria das contas pessoais nunca alcança.
Para dar escala aos números, pegamos um investidor hipotético que compra R$ 5.000 em cripto todo mês — R$ 60.000 por ano — sempre via ordem a mercado (taker), no nível básico de cada corretora, sem desconto de volume ou de token. É uma simulação, não uma previsão: o custo real varia conforme o tipo de ordem, o volume acumulado e eventuais promoções.
| Corretora | Taxa taker usada | Custo anual estimado |
|---|---|---|
| Binance | 0,10% | R$ 60 |
| Bybit | 0,10% | R$ 60 (mas sem saque direto em BRL) |
| NovaDAX | 0,45% | R$ 270 |
| Foxbit | 0,50% | R$ 300 |
| Mercado Bitcoin | 0,70% | R$ 420 |
Essa simulação não inclui taxa de saque nem o spread do momento da ordem — some os dois separadamente se quiser uma estimativa mais realista para o seu caso.
Abrir conta na BinanceA Binance tem a menor taxa taker verificada nesta tabela (0,10%), o que pesa a favor de quem negocia com alguma frequência — só vale lembrar que o saque em reais custa R$ 3,50 por operação, então não é a mais barata para quem entra e sai da corretora toda semana.
Quem está comprando aos poucos, uma vez por mês, sente pouco a diferença entre 0,10% e 0,70% — nesse caso, Mercado Bitcoin ou Foxbit ainda fazem sentido pela simplicidade da interface e pelo suporte em português, mesmo com o taker mais alto da lista. Quem já opera com frequência e quer o menor custo por operação tende a preferir a Binance, especialmente se pagar as taxas em BNB. A Foxbit se destaca para quem troca cripto por cripto sem passar pelo real, graças à taxa de 0,02%/0,15% nesses pares. E a Bybit é para quem já tem experiência e não se incomoda em usar o P2P para converter para reais — não é a corretora certa para quem está fazendo a primeira compra. Se você ainda está decidindo onde abrir conta, o nosso ranking completo de corretoras de criptomoedas no Brasil compara segurança, suporte e histórico além das taxas.
Vale lembrar que taxa baixa não compensa uma conta mal protegida. De nada adianta economizar R$ 200 por ano em taxas se a conta cair num golpe de phishing ou ficar sem autenticação de dois fatores — os golpes mais comuns com criptomoedas e como evitá-los valem a leitura antes de mover qualquer valor considerável. Se essa é sua primeira vez comprando cripto, comece pelo guia de como investir em Bitcoin em 2026, que explica o passo a passo sem pressupor experiência prévia. E para o que você não pretende negociar no curto prazo, considere tirar da corretora: o guia de carteira de criptomoedas segura mostra como guardar cripto fora do ambiente de trading.
Compare corretoras: segurança, taxas e suporte
Ver ranking completo →Binance e Bybit empatam na taxa mais baixa, 0,10% tanto para maker quanto para taker. A diferença prática é o saque: a Binance cobra R$ 3,50 para tirar reais da conta, enquanto a Bybit nem oferece saque bancário direto em BRL, só conversão via P2P.
No nível básico, a NovaDAX cobra 0,21% na ordem executada (maker) e 0,45% na ordem executora (taker), conforme a própria página de taxas da corretora. Depósito e saque em reais via Pix não têm custo, segundo a mesma fonte, verificada em 28/09/2026.
Nos pares em reais, a Foxbit cobra 0,25% maker e 0,50% taker. Nos pares cripto-cripto a taxa cai para 0,02% maker e 0,15% taker, a mais baixa entre as corretoras deste comparativo para quem troca ativos sem passar pelo real. Saque em BRL é gratuito.
O Mercado Bitcoin cobra 0,30% maker e 0,70% taker no nível básico, o taker mais alto deste comparativo. Em compensação, depósito via Pix e saque em reais são gratuitos, com valor mínimo de R$ 1,00 por operação.
Spread é a diferença entre o preço de compra (ask) e o preço de venda (bid) de um ativo no mesmo instante. Ele não aparece como linha separada na fatura, mas está embutido no preço exibido — por isso costuma passar despercebido em relação à taxa de negociação.
Maker é quem coloca uma ordem limitada que fica esperando no livro de ofertas até alguém topar o preço; taker é quem executa contra uma ordem já existente, a preço de mercado. Por adicionar liquidez, o maker quase sempre paga uma taxa igual ou menor que o taker.
Depende da corretora. Mercado Bitcoin, Foxbit e NovaDAX não cobram para sacar em reais. A Binance cobra R$ 3,50 por saque. A Bybit não tem saque bancário direto em BRL — a conversão para reais passa pelo mercado P2P da própria plataforma.
Nas cinco corretoras deste comparativo, não. Binance, Mercado Bitcoin, Foxbit e NovaDAX confirmam depósito via Pix gratuito em suas páginas oficiais de taxas; a Bybit não opera depósito direto em BRL fora do P2P.